Anais de Trabalhos Científicos 7º CBHV

Tratamento de asma felina com Natrum sulphuricum - relato de caso

AUTORES

Karine Bonucielli Brum (UFMS)

Karine Bonucielli Brum (UFMS)

Marina Luiza Franco (UFMS)

Artur Maggioni e Silva (UFMS)

Mônica Filomena Assis de Souza (SIGO Procedimentos Homeopáticos)


RESUMO INTRODUÇÃO

A asma felina é uma doença crônica das vias aéreas inferiores de gatos que tem como principal causa agentes alérgenos (1). Em humanos também pode ser desencadeada por substâncias farmacológicas, poluição aérea (fumaça de cigarro e ozônio), fatores ocupacionais, exercício (especialmente em tempo frio), estresse emocional e infecções (principalmente vírus) (2). Os sinais clínicos incluem respiração com chiados (aguda), taquipneia, dificuldade ou angústia respiratória que leva o animal a respirar com a boca aberta, assumindo a posição agachada com pescoço estendido. Alguns animais podem apresentar apenas tosse leve e ocasional ou tosse diária (3). Episódios de tosses semelhantes àquelas causadas pela presença de bolas de pelos podem confundir e dificultar o diagnóstico (1). O diagnóstico primário pode ser realizado através dos sinais clínicos (a tosse é o mais consistente), achados radiográficos e resposta a terapia convencional (3). Através do exame radiográfico pode-se encontrar um padrão pulmonar bronquial ou broncoinstersticial (1). A terapia inclui oxigenioterapia, glicocorticoides e broncodilatadores (2,3). O objetivo do presente trabalho foi fazer com que a paciente, provavelmente uma lesional grave, tivesse crises asmáticas cada vez mais espaçadas e leves, por meio do tratamento com o simillimum homeopático, evitando ou reduzindo a utilização de medicamentos alopáticos, melhorando assim, sua qualidade de vida.


MATERIAL / MÉTODO

Felino, fêmea, SRD, nascida em dezembro de 2010 trazida para consulta no dia 20/08/2014 com diagnóstico de asma. A primeira crise começou no inverno, aproximadamente 10 dias depois da cirurgia de castração, quando tinha entre seis e oito meses de idade e morava na cidade de Cascavel/PR. Inicialmente tossia aparentando estar engasgada e tinha umas duas crises semanais. Os episódios de tosse foram piorando e passaram a ser várias no mesmo dia. Após exames radiográficos foi detectada uma alteração compatível com broncopatia que, associada aos sinais clínicos e melhora com a medicação, permitiram chegar ao diagnóstico de asma. Foi tratada com broncodilatadores, mucolíticos e corticoides, que funcionaram por um tempo. Mudou-se para Campo Grande em dezembro de 2013 e ela ficou bem, até que em abril de 2014 voltou a ter crises fortes. Tossia muito, chegando a ficar cianótica pela falta de ar, sendo necessário o uso da bombinha (Bromidrato de fenoterol) diariamente. A paciente mora numa casa com mais um gato com quem convive bem. Antes da castração gostava muito de brincar e era agitada. Depois da cirurgia, tornou-se uma gata calma, quieta, assustada e que brincava pouco. Cada vez que começava a correr pra brincar tinha crises de falta de ar. Comia só ração e pouco. Tomava bastante água, umas três vezes por dia. Parecia que melhorava das crises com banho morno, assim como o calor em geral. Era friorenta, pois gostava de dormir em baixo das cobertas e ficava bem com casaquinho. Tinha crises, mais fortes de manhã, aparentemente sem motivo, e de noite porque está mais ativa, brincando. Foram repertorizados os sintomas: Mental, assustado facilmente; Mental, transtorno por traumatismo (ferimentos), acidentes, sintomas mentais devido a; Respiração, asmática; Respiração, difícil; Generalidades, frio em geral, ar frio, agr.; Generalidades, movimento, agr.; Generalidades, friorento. Foi prescrito Natrum Sulphuricum 2LM, 2 gotas SID, por via oral.


RESULTADO

Após cinco dias de uso do Natrum Sulphuricum, melhorou o apetite, ganhou peso e não usou mais a bombinha. Por alguns dias ainda teve crises leves de tosse de manhã cedinho. No segundo mês de tratamento, a tutora relatou que a paciente estava mais carinhosa, as crises de tosse passaram a ser bem esporádicas e nunca mais apresentou episódios de falta de ar. A postura assumida por esse animal para tossir é muito comum em gatos com problemas pulmonares (3). O padrão bronquial observado nas radiografias foi compatível com o descrito na literatura para os casos de asma felina (1,3). A melhora dos sinais clínicos físicos e mentais com o uso do Natrum Sulphuricum ocorreu devido à similitude entre a doente e o remédio. O Natrum Sulphuricum é o remédio mais importante nos transtornos ou sintomas mentais, decorrentes de acidentes ou lesões (4). A asma dessa gata iniciou 10 dias após uma cirurgia de castração, o que caracteriza, sob o ponto de vista homeopático, um transtorno por trauma. Alterações no estado de saúde causadas por transtornos emocionais constituem os “transtornos por” na clínica homeopática. Quando se consegue determinar a situação desencadeante de determinado quadro patológico, isso deve ser considerado em primeiro lugar na escolha do remédio homeopático. As doenças do sistema respiratório, incluindo a asma, são frequentemente desencadeadas por desequilíbrios emocionais (5). Além disso, no item “asma”, na Matéria Médica (4), observa-se semelhanças de horário e situações que desencadeavam as crises, assim como de sinais clínicos. Optou-se pela escala LM para que o risco de agravação e patogenesias fosse reduzido (6), já que apresenta lesão em órgão nobre e isso poderia piorar o quadro. O tratamento alopático convencional é paliativo para o resto da vida, não sendo efetivo para todos os animais, podendo provocar efeitos colaterais e ainda é contra indicado com outras doenças associadas (1). Outra terapia que também podem ser utilizada em casos agudos é a oxigenioterapia, no entanto é impraticável com gatos, sendo muito estressantes e de difícil execução (3). O tratamento da asma com homeopatia para essa gata mostrou-se eficaz. Como vantagens desta terapia pode-se destacar que: os sinais clínicos foram amenizados em curto espaço de tempo, a administração do remédio foi fácil e não houve efeitos adversos. Conclusão: O Natrum sulphuricum mostrou ser o simillimum dessa paciente felina, uma vez que controlou as crises de asma satisfatoriamente, sem a necessidade da utilização de medicamentos alopáticos, amenizou os sinais clínicos e, dessa forma, está possibilitando que a paciente tenha melhor qualidade de vida.


    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

    1. Trzil JE, Reinero CR. Update on feline asthma. Veterinary Clinics: Small Animal Practice 44, p. 91 – 105. 2014.
    2. Reinero CR. Advances in the understanding of pathogenesis, and diagnostics and therapeutics for feline allergic asthma. Veterinary Journal 2011; 190 (1): 28-33.
    3. Norsworthy GD, Grace SF, Crystal MA, Tilley LP. The Feline Patient. 4th ed. Ames: Blackwell Publishing Ltd; 2011.
    4. Vijnovsky B. Tratado de Matéria Médica Homeopática. Vol. 1. São Paulo: Organon; 2003.
    5. Silva FB. Causas desencadeantes (“Transtornos por”). In: Silva FB. Los animales y La homeopatia – teroría y experiencia. 3ª ed. Madrid: Editorial Dilema; 2010. p.121 – 48.
    6. Villalva FF. Escala LM: as potências homeopáticas 50 milesimais. Preparação – dose – casos. Um método para descrevê-las. São Paulo: Editora Organon; 2009.

    Palavras-chave: doença bronquial, gato, homeopatia