Anais de Trabalhos Científicos 7º CBHV

Modulação da cistite experimental induzida por E. coli Uropatogênica (UPEC) por medicamento homeopático

AUTORES

Cidéli de Paula Coelho (Centro de Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), São Paulo. E Universidade de Santo Amaro (UNISA), São Paulo)

Cidéli de Paula Coelho (Universidade de Santo Amaro (UNISA), São Paulo)

Renata de Oliveira Iovine (Centro de Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), São Paulo)

Luciane Costa Dalboni (Centro de Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), São Paulo)

Fabiana Rodrigues Santana (Centro de Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), São Paulo)

Michelle Sanchez Freitas Correia (Centro de Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), São Paulo)

Renato Corrêa Viana Casarin (Centro de Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), São Paulo)

Vania Maria Carvalho (FMVZ- Universidade de São Paulo (USP))

Leoni Villano Bonamin (Centro de Pesquisa da Universidade Paulista (UNIP), São Paulo)


RESUMO INTRODUÇÃO

Introdução: Escherichia coli é um dos agentes mais comumente envolvidos em infecções do trato digestório (EPEC), mas também em infecções extra-intestinais, como aquelas do trato urinário (ITU), sendo este patótipo denominado UPEC (uropathogenic de E. coli). Como uropatógenos apresentam grande resistência aos antibióticos disponíveis, explorar estratégias alternativas para o gerenciamento de ITU é tema de intereresse1. Objetivos: O objetivo deste estudo é verificar, em um modelo experimental murino, se preparados homeopáticos podem interferir em aspectos fisiopatológicos da cistite induzida por E. coli.


MATERIAL / MÉTODO

Camundongos BALB/c fêmeas foram submetidos à inoculação uretral de 50 microlitros de uma suspensão de Escherichia coli UPEC O4:K-:H5 (genótipo pap+, sfa+, fimH+, hly+, cnf1+, fyuA+, traT+, malX+), protótipo de urosepsis, na concentração de 7,5x1011 UFC/mL. Os animais foram divididos em grupo controle, grupo tratado com solução hidro-álcool (veículo) e grupo tratado com Cantharis 6 CH. O medicamento e a solução hidroalcoólica foram preparados de acordo com a Farmacopéia Homeopática Brasileira (3ª edição) e foram administrados por via oral, com livre acesso à água potável durante 2 dias após a infecção. Após a eutanásia, bexiga e rim foram pesados e recolhidos para análise histopatológica e imuno-histoquímica. Foram utilizados os seguintes marcadores: CD3 (linfócitos T), CD79 (linfócitos B), MIF (macrófagos), NK (natural killer) e VEGF (mediadores inflamatórios) para análise das populações celulares presentes no infiltrado inflamatório. A quantificação de diferentes citocinas a partir de material obtido da bexiga foi feita pelo sistema LUMINEX / Magpix, com amostras duplicadas. Os dados foram analisados estatisticamente por ANOVA para comparação entre médias e pelo teste de Fisher, para comparação entre proporções, sendo p≤0,05.


RESULTADO

O tratamento com Cantharis 6 CH aumentou a proporção de linfócitos B em relação às populações de linfócitos T, células NK e macrófagos na mucosa da bexiga (p≤0.05). Na Pelve renal, ao contrário, os animais tratados apresentaram redução significativa de linfócitos B em relação a linfócitos T e macrófagos. Não foram encontradas células NK no infiltrado inflamatório. Houve redução na proporção de células VEGF-positivas em relação aos macrófagos, na pelve (p≤0.05). A análise do rim não apresentou resultados estatisticamente significantes entre os grupos. O grupo tratado com Cantharis 6 cH, quando comparado ao controle, apresentou aumento significativo de IL6 e IFN-γ (p≤0.05) e pequena diminuição de IL10, sem significância estatística. Discussão: É sabido que os linfócitos B são responsáveis pela diminuição bacteriana no contexto de uma infecção, quando os animais são desafiados com Escherichia coli2. Hansen (2015)3 observou, in vitro, que a produção de citocinas, dentre elas IFN-γ e IL-6, a partir de macrófagos estimulados por LPS (lipopolissacarideo presente na E.coli) pode ser modulada na presença de linfócitos B. Nossos resultados sugerem possível interferência na migração de linfócitos B da pelve para a bexiga, protegendo a evolução da infecção de forma ascendente. O papel do VEGF como mediador inflamatório, no caso, ainda necessita ser esclarecido. Conclusão: No presente estudo houve modulação na dinâmica inflamatória do trato urinário após tratamento com Cantharis 6 cH, limitando a resposta imunológica à bexiga, o que, possivelmente justificaria a ausência de infecção e inflamação renal por E. coli.


    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

    1. FOXMAN B. The epidemiology of urinary tract infection. Nature Reviews Urology. 2010; 7:653–60. doi: 10.1038/nrurol.2010.190. 2010.
    2. MORA-BAU, G.; PLATT, A.M.; VAN ROOIJEN, N.; RANDOLPH, G.J.; ALBERT, M.L.; INGERSOLL, M.A. (2015) Macrophages Subvert Adaptive Immunity to Urinary Tract Infection. PLoS Pathog 11(7): e1005044. doi:10.1371/journal.ppat.1005044. 2015.
    3. HANSEN, JULIANA FROHNERT ET AL. “Influence of Phthalates on in Vitro Innate and Adaptive Immune Responses.” Ed. Wenyu Lin. PLoS ONE 10.6 (2015): e0131168. PMC. Web. 17 Sept. 2015.

    Palavras-chave: Escherichia coli, Homeopatia, UPEC, Citocinas,Cant