Anais de Trabalhos Científicos 7º CBHV

Efeito do uso de preparação homeopática sobre qualidade de ovos de poedeiras comerciais

AUTORES

Marco Antonio Cucco marco.diretor@sigohomeopatia.com.br (Sigo Homeopatia- Campo Grande- MS)

Marco Antonio Cucco marco.diretor@sigohomeopatia.com.br (Sigo Homeopatia - Campo Grande - MS)

Mônica Filomena Assis de Souza monica.rt@sigohomeopatia.com.br (Sigo Homeopatia- Campo Grande - MS)

Mihayr Morais Jardim mihayr@yahoo.com.br (Nutrial Insumos Agropecuários - Uniovo- Goiás)

Raquel Soares Juliano rrinbox@gmail.com (Embrapa Pantanal)

Karine Bonucielli Brum kbbrum@gmail.com (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande – MS)

Artur Maggioni e Silva vet.artur.maggioni@gmail.com (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande – MS)


RESUMO INTRODUÇÃO

A produção de alimentos de origem animal, sob suas múltiplas modalidades e independentemente da espécie envolvida, tem se demonstrado carente de soluções e de insumos mais seguros e sustentáveis no que diz respeito à saúde do consumidor e do meio ambiente. O número de moléculas que são proibidas ou tem seu uso restrito devido a seus efeitos indesejáveis sobre o organismo humano somente tem aumentado nos últimos anos e isso tem provocado nos mercados posturas cada vez mais exigentes. A perda da qualidade da casca de ovos ocorre em galinhas com idade a partir de 57 semanas, independentemente da linhagem. A casca apresenta-se menos espessa, menos densa e mais porosa. (1) A ocorrência de ovos com casca mais frágil e com defeitos visíveis à ovoscopia aumenta o percentual de descarte dos ovos ou condiciona sua comercialização por remuneração inferior, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento da porosidade dos ovos predispõe os mesmos a contaminação da clara e da gema pela penetração de patógenos presentes na superfície da casca. (1) Nível de Ca crescente e acima das tabelas do NRC foi testado em idades críticas de poedeiras, não havendo benefício à qualidade da casca dos ovos. (2) Por ser de conhecimento que a taxa de absorção de cálcio é de 60% em aves jovens e de 40% nas aves mais velhas a correção do problema através de nutrição ou do uso de probióticos tem sido proposta como alternativa para suprimir problemas de qualidade da casca; entretanto os resultados são pouco satisfatórios. (2,3) Diante do exposto, o objetivo do presente trabalho foi testar se a perda de qualidade de ovos de poedeiras comerciais com mais de 60 semanas de idade, produzidos em regime intensivo, poderia ser minimizada pelo emprego de preparação homeopática. Foram adotados como parâmetros para medir o efeito do tratamento a densidade e o tamanho do ovo, o peso da casca, o percentual da casca em relação ao ovo total e a espessura da casca.


MATERIAL / MÉTODO

O experimento foi realizado em um sistema produtivo intensivo de ovos, localizado no município de Inhumas- GO durante um período de 52 semanas, no segundo semestre de 2013. Foram utilizadas 240 galinhas poedeiras Bovans White, divididas em quatro grupos experimentais, dois grupos tratados (T1 e T2) e dois grupos controles (C1 e C2), contendo 60 animais em cada um deles. Do início ao fim do experimento foi administrado aos grupos T, misturado à ração, preparado homeopático contendo veiculado em carbonato de cálcio (CaCo3) em pó impregnado de medicamento homeopático em solução hidroalcoólica na quantidade de 0,2g/ave/dia, consistindo a preparação homeopática na seguinte fórmula: Solanum lethale 12CH, Silicea 12CH, Natrum muriaticum 30CH, Calcarea phosphorica 30CH, Sulphur 12CH. Aos grupos (C) foi administrado CaCO3 em pó impregnado de igual quantidade de solução hidro-alcoólica desprovida de princípio ativo homeopático em quantidade de 0,2g/ave/dia, do início ao fim do experimento. Foram coletados 60 ovos por grupo experimental, na 33ª, 53ª, 65ª e 75ª semanas de idade das galinhas. Os ovos coletados foram submetidos à medição dos seguintes parâmetros: peso do ovo em gramas (PO), densidade do ovo (DO), peso da casca em gramas (PC), peso percentual da casca em relação ao peso do ovo (%C) e espessura da casca em milímetros (EC). Foram agrupadas medidas das variáveis avaliadas nos espaços de tempo, comparando-se as médias dos grupos T e C. Primeiramente, foi feita avaliação estatística de média, desvio-padrão e valores máximo e mínimo para 95% de confiança. Aplicou-se o método D’Agostino e Person (omnibus normality test) para aferir a normalidade da distribuição dos dados. Aplicou-se o teste de T para amostras não pareadas, usando- se teste de Mann-Whitney para verificar se as diferenças foram ou não significativas quando a distribuição não era normal.


RESULTADO

O PO e a EC foram significativamente maiores (p <0,05) nos grupos tratados, enquanto a %C foi significativamente maior (p <0,05) nos grupos controles. Não houve diferenças significativas entre os grupos para as demais variáveis avaliadas. As medidas iniciais (33ª semana) não diferiram estatisticamente entre os grupos T (0,33mm) e C (0,34mm).
Os resultados demonstram que nos animais tratados a EC aumentou progressivamente até a 65ª semana de idade das galinhas (0,33mm, 0,36mm e 0,38mm) decrescendo na 75ª semana (0,34mm); apesar desse decréscimo, a EC dos grupos tratados manteve-se significativamente (p<0,05) maior (0,34mm) que a dos grupos controle (0,31mm) na 75ª semana. Os grupos controle (C1 + C2) apresentaram um aumento significativo (p <0,05) na 53ª semana (0,39mm), seguido de uma queda significativa (p <0,05) na 65ª semana (0,34mm) e na 75ª semana (0,31mm).
Esses resultados demonstram que animais tratados com homeopatia apresentaram aumento na EC justamente na idade produtiva em que ocorrem os problemas com a fragilidade da casca (1), sugerindo que o tratamento pode minimizar perdas nessa fase de postura. Entretanto, é importante alertar que o uso da preparação homeopática sem que haja sintomas do desequilíbrio a ser combatido pode induzir a patogenesia, provocando manifestação justamente dos sintomas que se deseja eliminar; provavelmente por isso a EC dos tratados (0,36mm) foi menor (p<0,05) que a dos controles (0,39mm) na 53ª semana por ser esta idade assintomática. Por outro lado, nas idades onde os sintomas de fragilidade da casca já estão manifestos ou tem alta probabilidade histórico-estatística de ocorrerem, é indicado o uso da preparação, pois a mesma conduzirá o animal ao equilíbrio ou à cura (4).
A análise dos resultados do presente trabalho permite concluir que a preparação homeopática testada na linhagem Bovans White produziu efeito positivo na espessura da casca entre a 65ª e a 75ª semanas de idade. Outras técnicas tradicionais testadas, como alteração dos teores de cálcio e fósforo na dieta e adição de probióticos à ração não mostraram efeito significativo; isso indica ser válido priorizar pesquisas sobre o uso de preparações homeopáticas na produção sustentável de ovos.


    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

    1. Carvalho FB, Stringhini JH, De moraes jardim filho R, Leandro NSM, Café MB, Deus HASB. Qualidade interna e da casca para ovos de poedeiras comerciais de diferentes linhagens e idades. Ciência Animal Brasileira 2007; 8(1): 25-29.

    2. Keshavarz K, Nakajima S. Re-evaluation of calcium and phosphorus requirements of laying hens for optimum performance and eggshell quality. Poultry Science 1993; 72: 144-153.

    3. Giampauli J, Pedroso AA, Moraes VMB. Desempenho e qualidade de ovos após a muda forçada suplementadas com probiótico em diferentes fases de criação. Ciência Animal Brasileira 2006; 6(3): 179-186.

    4. Hahnemann S. Organon da arte de curar. 2ᵃ ed. Tradução de: Organon der Heilkunst. Ribeirão Preto: Museu de Homeopatia Abrahão Brickmann; 1995.

    Palavras-chave: qualidade casca ovo, avicultura,poedeiras